
Localizada no coração de Paris, a Basilique Notre-Dame-des-Victoires foi erguida para comemorar as vitórias de Luís XIII, cumprindo uma promessa feita pelo rei em 1614 de construir uma igreja dedicada à Virgem Maria caso derrotasse os protestantes. A construção iniciou-se em 1629, após a rendição da cidadela protestante de La Rochelle em 28 de outubro de 1628, e foi concluída em 1740. O projeto original foi de Pierre Le Muet, mas a obra foi interrompida por falta de fundos e retomada em 1656 sob a direção de Libéral Bruant, sucedido por Gabriel Le Duc. A fachada foi terminada em 1740 pelo arquiteto Jean-Sylvain Cartaud, que optou por superpor duas ordens arquitetônicas clássicas: jônica no térreo e coríntia em cima, com um frontão triangular que exibe um brasão com as armas da França encimado pela coroa real.
A igreja é um marco do barroco francês, com uma fachada elegante e interior grandioso. As colunas e detalhes ornamentais refletem a magnificência do período, e a cúpula, projetada por Pierre Le Muet, é notável por sua grandiosidade e pelos frescos de Charles-Antoine Coypel. Durante a Revolução Francesa, a igreja serviu de refúgio e foi poupada da destruição, ao contrário de muitos outros edifícios religiosos. Os religiosos tiveram que abandonar o edifício, que se tornou sede da Loteria Nacional e, durante o Diretório (de 26 de outubro de 1795 a 9 de novembro de 1799), foi ocupado pela Bolsa de Valores. Em 1802, foi devolvida ao culto católico, e em 23 de fevereiro de 1927, foi elevada ao grau de basílica menor, uma das cinco em Paris.
A Notre-Dame-des-Victoires é famosa por seus ex-votos, oferendas deixadas por fiéis em agradecimento por graças alcançadas, que incluem placas de mármore, pinturas e outros objetos devocionais adornando as paredes. Além disso, possui uma rica coleção de arte religiosa, com obras como a "Assunção da Virgem" de Louis-Michel van Loo e a "Virgem e o Menino" de Jean-Baptiste Deshays, além de esculturas de François Girardon e Pierre Puget ilustrando cenas bíblicas e figuras de santos. Hoje, continua a ser um local de peregrinação e símbolo de fé, acolhendo missas, concertos e outras atividades culturais. Na praça adjacente, podem ser vistas a tradicional loja de chás Dammann Frères e a grande Librairie Catholique.