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Brasserie Lipp

Célebre Brasserie de Saint-Germain, frequentada por políticos e intelectuais

imagem do Brasserie Lipp - slide 1

Daniel Cruz Valle

A Brasserie Lipp foi inaugurada em 1880 por Léonard Lipp e no decorrer dos anos tornou-se uma verdadeira instituição parisiense. Sempre acolheu a mesma clientela ilustre que divide com o Café de Flore ou Les Deux Magots. A lista das celebridades políticas ou literárias que a frequentaram é extensa.

A atosfera do ambiente é típica de uma grande cervejaria de Paris, grande animação, garçons com uniforme preto, avental branco, guardanapo no antebraço esquerdo e atendimento um pouco rude. Não se aceita reservas e, em geral, é preciso pacientar por uma disputada mesa. A comida é típica da Alsácia e a cerveja reina majestosa. A magnífica decoração é toda em estilo Artdeco, com maravilhosa azulejaria e grandes espelhos de cristal que refletem vaidades e beldades. Ricos afrecos pintados no forro e lustres cintilantes também contribuem para a sensação de uma viagem de mais de um século no tempo, aterrissando em plena Belle Époque.

No dia 29 de outubro de 1965 a Brasserie Lipp foi sacudida por uma cena de triller de espionagem. Às 12h30, Mehdi Ben Barka, líder da oposição ao rei do Marrocos Hassan II, chegava para um encontro com três pessoas que o aguardavam no interior da cervejaria quando foi abordado por dois homens que se diziam agentes da polícia francesa, foi conduzido para um veículo Peugeot 403, banalizado, e desde então nunca mais foi encontrado. Essa é a origem do perturbador “Affaire Ben Barka”, que foi investigado durante décadas e nunca esclarecido. Em frente à Brasserie Lipp está fixada uma placa em memória desse dramático mistério: “Mehdi Ben Barca, líder da oposição marroquina, combatente da liberdade, sequestrado aqui no dia 29 de outubro de 1965”.