O Café de Flore surgiu durante os primeiros anos da Terceira República - Troisième République, em 1885. O nome foi inspirado por uma escultura da deusa da Primavera, a ninfa Flora, existente do outro lado da rua. A decoração interior é Art Deco, todas as cadeiras tem estofamento vermelho, os lambris são de mogno e espelhos de cristal.
Contemporâneo da Brasserie Lipp e do Les Deux Magots, desde o início disputou a mesma ilustre clientela dos antecessores. Celebridades políticas, intelectuais, escritores e artistas circulavam escolhendo caprichosamente um dos três templos da boa vida mais em voga a cada momento. Única exceção talvez tenha sido o poeta Guillaume Apollinaire, que em janeiro de 1913 mudou-se para um apartamento no nº 202 do boulevard Saint-Germain e tornou-se fiel frequentador do Café de Flore até sua morte em novembro de 2018. O café era sua sala de redação e escritório para reuniões com outros escritores e poetas. Consta que em certo dia de 1917 foi visto no terraço travando animada discussão com os poetas André Breton e Louís Aragon. Nessa ocasião teriam inventado o termo “surrealista”, que serviu de etiqueta para o importante movimento artístico que se tornaria célebre.
Esse costume de adotar o café o ponto de encontro entre amigos, local de leitura, de reunião ou trabalho, se difundiu por toda a cidade, mas dificilmente outro café terá a mesma marca que o Flore, selada por Jean-Paul Sartre nos anos 1930: “Nos nos instalamos completamente: de nove horas ao meio dia nós trabalhávamos, saíamos para almoçar, às duas horas nós voltávamos e conversávamos com amigos até as oito horas. Depois de jantar nós recebíamos as pessoas com as quais tínhamos reuniões.Isso pode parecer estranho, mas no Flore nós estávamos em casa.”