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Église Saint-Germain-des-Prés

A mais antiga igreja de Paris, testemunha da história merovíngia e centro intelectual secular

imagem do Église Saint-Germain-des-Prés - slide 1

DXR

A Igreja de Saint-Germain-des-Prés, localizada no coração do bairro de mesmo nome, é a mais antiga de Paris, com suas raízes remontando ao século VI. Originalmente, fazia parte de uma abadia beneditina fundada pelo rei merovíngio Childeberto I, filho de Clóvis I, num descampado fora da cidade. Em 542, retornando de uma incursão na Espanha, Childeberto trouxe de Saragoça uma estola do mártir São Vicente. Ao voltar a Paris, ergueu uma igreja consagrada à Cruz Sagrada e a São Vicente para abrigar a relíquia. Em 558, a igreja de Saint Vincent, dedicada a Germain, bispo de Paris, foi inaugurada por Childeberto, que morreu pouco depois e foi sepultado no mosteiro. O local tornou-se um templo para o funeral de alguns reis da dinastia merovíngia da Nêustria, porção ocidental do Reino Franco.

Ao lado da igreja foi construído um mosteiro beneditino, e os abades tiveram jurisdição espiritual e temporal sobre o bairro de Saint-Germain até 1670. Sob proteção real, a abadia tornou-se uma das mais ricas da França. No século XI, possuía um importante scriptorium, o que lhe conferiu o status de centro de intelectualidade da Igreja Católica durante séculos, papel que perdeu durante a Revolução Francesa. No século seguinte, durante o período carolíngio, o corpo de Saint-Germain foi transferido para a igreja. Pilhada e incendiada pelos normandos repetidamente, a igreja foi reconstruída em 1012 e novamente consagrada a Saint-Germain de Paris pelo Papa Alexandre III.

O edifício atual é uma mistura de estilos arquitetônicos, com influências românicas e góticas. No século XII, o coro original da abadia foi demolido e substituído por um santuário gótico com deambulatório e capelas radiantes. O coro atual da igreja é um exemplo dos primeiros coros com arcobotantes, que depois teriam uso generalizado na arquitetura gótica. O campanário foi erguido por volta do ano mil e é uma das mais antigas construções de Paris; no século XIX, o arquiteto Baltar realizou aberturas na torre. Havia também duas torres no transepto, hoje desaparecidas. O portal da igreja foi terminado no século XII e, em 1604, foi substituído pelo portal clássico, que ainda hoje pode ser visto, de autoria de Marcel Le Roy.

Do antigo mosteiro sobreviveram até os dias de hoje apenas a igreja e o palácio abacial, construído em 1586 pelo arquiteto Guillaume Marchand para o abade de então, Charles de Bourbon. Durante a Revolução Francesa, a igreja foi transformada em armazém de salitre, o que contribuiu para a degradação do interior. Os preciosos manuscritos da abadia foram dispersados, e grande parte da coleção foi comprada pelo diplomata russo Piotr Dubrovsky. A maioria dos túmulos da realeza merovíngia foram destruídos, e os relicários de prata de 1408, de Saint Germain, foram fundidos. Uma refinaria de salitre passou a funcionar na igreja, onde o exército instalou um armazém de carvão e uma fundição destinada à fabricação de armas. Em 1794, doze toneladas de salitre armazenadas na abadia provocaram uma explosão que destruiu a obra de Pierre de Montreuil, o Gabinete de Antiguidades e a biblioteca.

Hoje, a igreja é famosa por seus belos vitrais, o órgão e por ser o local de descanso final do filósofo René Descartes. Os restos mortais de Descartes, que morreu na Suécia em 1650, foram transladados para a França em 1657 e sepultados na Abadia de Sainte-Geneviève; em 1819, foram transferidos para a Igreja de Saint-Germain-des-Prés e repousam numa capela lateral. No século XIX, os capitéis foram admiravelmente restaurados e merecem atenção especial, sendo testemunho da arte antiga e carolíngia, com cenas do Antigo e do Novo Testamento, animais monstruosos, folhagens em relevo, personagens enigmáticos e textos teológicos postos lado a lado. Restaurada recentemente, a decoração interior da igreja recuperou a extraordinária riqueza das antigas cores e douraduras. A igreja também desempenhou um papel importante na vida intelectual e cultural de Paris, especialmente durante os séculos XIX e XX, quando o bairro se tornou um centro para escritores e artistas.

EraMedievalEstiloRomânicoSéculosséc. VISubtipoIgrejaArquitetoGuillaume Marchand, Marcel Le RoyAcessibilidadeParcialAno558Duração da visita1h a 2h
Endereço
3 Place Saint-Germain des Prés — 75006 Paris
  • MMetrô
    • 4Saint-Germain-des-Prés
    • 10Mabillon
  • BUSÔnibus
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