
Construída no século XII, Saint-Julien-le-Pauvre é uma das igrejas mais antigas de Paris, com origens que remontam ao período merovíngio, onde havia uma capela e um cemitério documentados desde 507. Em 886, durante o cerco de Paris pelos Vikings, a basílica primitiva foi saqueada e destruída. Uma nova igreja começou a ser erguida a partir de 1160 e foi terminada por volta de 1170, com grande parte de seus elementos arquitetônicos sobrevivendo no edifício atual, em estilos românico e gótico. Saint-Germain-des-Prés, Saint-Pierre de Montmartre e Saint-Julien-le-Pauvre são, nessa ordem, as igrejas mais antigas da cidade.
Localizada perto da Notre-Dame, no bairro do Marais, a igreja apresenta dimensões modestas, mas uma obra primorosa, com esculturas inspiradas na catedral de Notre-Dame, em construção na mesma época, e provavelmente executadas pelos mesmos artesãos. O edifício tem uma nave com quatro abóbadas, dois corredores laterais, um coro e uma abside em semicírculo. O historiador e arqueólogo Ferdinand de Guilhermy repertoriou mais de 150 capitéis na igreja, todos diferentes e finamente esculpidos, cerca de 100 dos quais estão no coro.
Durante muitos anos, até 1525, esta igreja acolheu aulas da antiga Universidade de Paris, assembleias gerais e eleições, com aulas frequentemente ministradas na rua ao lado, conhecida como rue du Fouarre, onde os estudantes sentavam-se sobre montes de palha. Supõe-se que nessa rua morou, em 1309, durante seu exílio, o poeta Dante Alighieri, autor da Divina Comédia.
Em 1651, a igreja sofreu várias modificações e recebeu nova fachada, reduzindo seu comprimento de 28,08 metros para 21,28 metros. Vestígios importantes da fachada original se encontram à esquerda da entrada atual. Fora da igreja, do lado direito, pode-se ver a alvenaria de um poço muito antigo e uma grande pedra que pertenceu à estrada romana que ligava Lutécia a Orléans.
Em 1889, a igreja foi cedida para a comunidade Greco-Católica Melquita de Paris, agora pertencente à Igreja Melquita Grega-Católica, e desde então as missas seguem o rito litúrgico bizantino, também conhecido como Liturgia de São João Crisóstomo. Em 1900, foi instalada uma iconóstase típica, uma divisória decorada com ícones entre a nave e o coro.
O interior simples reflete a austeridade e a beleza do estilo românico, com paredes de pedra, pequenas janelas em arco e detalhes arquitetônicos minimalistas, criando uma atmosfera de tranquilidade. Um jardim ao lado, com árvores sombreadas, flores bem cuidadas e bancos, proporciona um espaço tranquilo no coração de Paris.
Ao longo dos séculos, a igreja sobreviveu a transformações, incluindo a Revolução Francesa, quando muitas igrejas foram fechadas ou destruídas, mas Saint-Julien-le-Pauvre permaneceu um símbolo de fé. Hoje, continua a ser um local ativo de culto e um destino para turistas e peregrinos, com liturgias que oferecem uma oportunidade de experimentar tradições religiosas antigas. Como monumento arquitetônico, a simplicidade românica do edifício é um lembrete da beleza atemporal da arquitetura medieval.