
A Église Saint-Pierre de Montmartre é uma das igrejas mais antigas de Paris, localizada no topo da colina de Montmartre, ao lado da famosa Basílica do Sacré-Coeur. É o único edifício restante da abadia real de Montmartre, tendo sido consagrada em 1147 pelo Papa Eugène III e classificada como monumento histórico em 1923.
Sua história remonta à fundação da Abadia de Montmartre por Luís VI e sua esposa, Adelaide de Saboia (também conhecida como Adèle de Savoie). No local havia uma igreja merovíngia do século VII construída sobre as fundações de um templo romano dedicado ao deus Marte, que deu nome ao bairro. O topônimo latino Mons Martis (Monte de Marte) evoluiu no período Merovíngio para Montmartre. Essa igreja foi pilhada pelos Normandos em 855 e reconstruída em 944. São Dionísio decidiu transferir a paróquia para outra igreja e, em 1133, a antiga igreja merovíngia, em ruínas, foi comprada pelo Rei Luís VI. Então foi iniciada a construção de um novo edifício para integrar a abadia beneditina fundada por sua mulher, a rainha Adèle de Savoie. Por mais de seis séculos a igreja serviu à paróquia e ao convento.
A obra seguiu o modelo românico da Idade Média, com três alas e um transepto. A fachada data do século XVII e as portas de bronze são de 1980, de autoria de T. Gismondi. A nave, românica, tem o teto em arco e dos lados há duas alas que foram criadas em 1765 (norte) e em 1838 (sul). Os vitrais são do século XX. O coro também é de estilo românico e possui uma das primeiras abóbadas com arcos ogivais de Paris, de cerca de 1150. A abside foi reconstruída no fim do século XII. Atrás do altar está o túmulo de Adèle de Savoie, rainha da França e fundadora da abadia. Em 1611, a cripta de Saint-Denis foi descoberta sob a capela do Martyrium. Até 1906 uma divisória (iconostase) separava o coro do resto da igreja.
Os mais impressionantes destaques arquitetônicos da igreja são as quatro colunas de mármore do período romano, que haviam pertencido ao templo do deus Marte, e cinco capitéis coríntios remanescentes da igreja merovíngia do século VII. A igreja ainda preserva vários elementos românicos, como colunas antigas e vitrais medievais, mantendo um charme medieval autêntico, especialmente no interior, onde quatro colunas de mármore da época merovíngia foram preservadas.
A Saint-Pierre de Montmartre tem uma importância espiritual significativa, sendo um local de peregrinação há séculos. Nessa igreja foi fundada no dia 15 de agosto de 1534 a Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, por Inácio de Loyola (Íñigo López de Loyola) e um grupo de estudantes da Universidade de Paris. A igreja também está ligada ao surgimento do movimento dos Templários, que teriam sido fundados em uma reunião na Abadia de Montmartre. Essa rica herança espiritual e histórica atrai tanto turistas quanto fiéis que buscam explorar as raízes cristãs de Paris.
O cemitério adjacente à igreja, cimetière du Calvaire, criado em 1688, raramente está aberto para visitas. Abriga as sepulturas do navegador Louis Bougainville (1729-1811) e a do escultor Pigalle (1714-85). Ao lado há um jardim, o Jardin du Calvaire, fechado para o público, que contém uma Via Crucis criada para o Cardeal de Richelieu.
A tranquilidade da Saint-Pierre de Montmartre contrasta com a agitação da Basílica do Sacré-Coeur, oferecendo uma experiência mais introspectiva e histórica. Com suas vistas espetaculares de Paris e sua atmosfera serena, a igreja continua a ser um ponto de interesse essencial para quem visita o bairro de Montmartre.